terça-feira, dezembro 13, 2005

Cansaço...

Cansaço...

Da primeira vez
Ela amou
Ela chorou
Rastejou
Mas resolveu ficar
É que foram muitos
Os momentos felizes
Sem cicatrizes
Que deixaram raízes
Profundas
Ocultas
No seu penar
Pena que tudo
Escureceu
Depois se perdeu
E sofreu
Esqueceu as esperanças
As lembranças
Porque o perdão
Também se cansa
De esperar
E perdoar

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Uma Nota Só

Uma Nota Só


Mesmo sem querer
Eu parti
Me parti
Te parti

Foram muitos pedaços
De cacos
Nos cantos
Por lados

Segui sem olhar
Pra você
Não me ver
Não chorar

Minha estrada sofrida
Sem dó
É de pó
De um só

Onde minha vida
Anda manca
Canta triste
Em uma nota só:
Dó!



Retorno

Re
Tor
No


Esperei...
Como quem espera em vão
Insônias de paixão
Estive em suas mãos
Em performances de cena
Vivendo de deleites
Realidades e aparências
Derramei lágrimas sobre pétalas
De um amor quase perfeito
Ao cair pude ver claramente

As cores dessa Terra infinita
Num instante...
Não mais que um instante
Me recolhi
E sozinha num canto
Desisti de te amar
Para deixar de sofrer
Pois assim pode-se ver
O quanto são longas
Essas manhãs de mágoas
Onde vejo no chão o teu retrato
Registro de um olhar incerto
Que já não lembro
E também não quero
Preciso enxergar caminhos
Por onde devo andar
Sem destino, sem abrigo
Correr em tempos de Primavera
Logo, eu retorno...
Antes que a luz acabe
Para te amar novamente
Por duas gerações
Mas dessa vez
Virei sem medo.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Descompasso Compassso Passo


Entre brumas de cores e plumas
Vejo teu antigo olhar
E através dele pode se ver
O reflexo do Luar
Que parece desconfiar
Dos meus anseios em te desejar

De todas as cores
De todas as formas
Em todos os retalhos
Recortados, Coloridos...
Em todos os tons das estações

Mais nada disso importa
Só quero é sentir teu coração bater
Em descompasso assim como o meu
E não sei porquê
Você aportou e ficou
Sem pedir licença
Ficou como uma crença
Contada como uma Lenda
Através dos tempos
Que passa, passa, passa
E não se finda com o pôr-do-sol
Mas se renova com a chegada
De um novo amanhecer

E nesse compasso
Sem passo da vida
Que me devora
Pela falta dos dias
Que vivo sem você

Sempre Aqui...

Sempre
Aqui...

Dormi logo para te encontrar de novo
Pensei nas lembranças,
Senti teu cheiro,
Chorei dormindo,
Sonhei contigo...
Em sonho tudo se alcança;
Nele pintei um altar
Desses majestosos,
Repletos de aspirações;
Desenhei deuses,
Vontades e abstratos traços;
E diante de falas distorcidas
e verdades corrompidas
Rasguei todas tuas estórias antigas
Te fiz renascer imaculado
Só para viver ao meu lado
Com tudo que nos pertence
De mais bonito e colorido
Tudo para que você não me deixasse
Tudo para que você entendesse
Que a magia continua aqui
Mesmo refletida na escuridão
Iluminada em nossos sorrisosPelas finas gotas de orvalho
Lágrimas que vem da Lua
Que agora chora junto a nós
E desse jeito eu te conto estórias
Como se já fosse a hora de ir
Seguir esse triste caminho
Que me leva para longe de ti,
Pois sei que já não posso ficar
Mas sempre estarás aqui,
Dentro do meu olhar
E assim será...

terça-feira, dezembro 06, 2005

Partida

Par Ti Da

Par



Ti



Da


Como é temida a partida
Que parte e reparte o coração
Ao ouvir a velha canção

Que toca tênua
Quando chega o amanhecer
Ao acordar e pensar
Que você me fez sentir a dor
De não te ver
De não te ter
E só pude sentir aquele vulto oculto
Na escuridão da solidão
E o som dos teus passos
Tão acostumados
A pisar esse chão
Que sempre foi tão nosso
E hoje é apenas só meu
Meu mundo ficou sem rumo
E hoje só posso dizer
Adeus...

Tudo se renova



Tudo se renova

Não tento te entender
Porque para te entender
Não me entendo
E nesse círculo vicioso
Eu giro e me perco
No compasso desse tango
Que toca ao fundo
No canto vazio e frio;
Desse imenso salão
De madeira no chão
E imensas cortinas
De veludo vermelho
Que por trás dessa pompa
Esconde...
Lágrimas incógnitas
Espalhadas pelas paredes
Marcadas pelos gritos
De dores e desejos
Sentidos, proibidos, vendidos...
De um novo amor antigo
Que quando a noite se finda
Traz o amanhecer que timidamente
Se aproxima de mim e de você
Rasgando o lenço da vida
Magoando essa ferida
Que chora incansavelmente
Como criança sofrida
Anunciando que tudo se renova
E mais tarde...
Começa um outro baile
Onde mais tarde
Mais uma vez
Vou dançar com você

Chama...

Chama...


Para quem olha devagar
E pode ver além do olhar
Consegue te enxergar
Pois és fogo e Luar


Que ilumina a chama
Desse incessante penar
Da minha clara alma
Que não se cansa
De te amar...

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Casa Pré Fabricada

Casa Pré-Fabricada
(Los Hermanos)



Abre os teus armários.
Eu estou a te esperar
Para ver deitar os sol
Sobre os teus braços castos.
Cobre a culpa vã...
Até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo.

Canta que é no canto que eu vou chegar.
Canta o teu encanto que é pra me encantar.
Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você.
Que explique a minha paz.
Tristeza nunca mais.

Vale o meu pranto que esse canto em solidão.
Nesta espera o mundo gira em linhas tortas.
Abre essa janela, a primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota.

Canto que é de canto que eu vou chegar.
Canto e toco um tanto que é pra te encantar.
Canto para mim qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz.
Tristeza nunca mais.

sábado, dezembro 03, 2005

De todas as cores e retalhos


De todas as cores e retalhos


Vou rodar a minha saia
De todas as cores e retalhos
E na velocidade das voltas
Só consigo te ver passar
Lentamente mirando
Admirando minha dança
Que é toda pra você
E danço, danço, rodopio
De chinelos arrastados
Cabelos cor do sol
E um corpo frio
Molhado da chuva fina e fria
De início de inverno
Que persiste em cair
Resistindo a força do vento
Que teima em correr
Já é madrugada,
Fim dos sonhos
Pois estes só existem
No mistério da escuridão
Onde tudo se confunde
Onde tudo se difunde
Começo a andar, agora sozinha
Pra te encontrar
Recomeço a rodar, rodar e rodar
Dando voltas e voltas
De todas as cores e retalhos
Buscando você no meu olhar...

Samba antigo

Samba Antigo

Entre sons e silêncios
Posso ouvir tua voz
E me bate sem querer
Uma saudade sem sentido
Sem cura da tua figura
Estampada em meus devaneios
Rabiscada de cores mornas
Com olhar profundo
Onde me afundo
E ando sem rumo
Por becos escuros
Em tristes noites
A buscar em vão
Nesse vazio absurdo
Algo que me faz seguir ao ouvir
Um velho samba a tocar

Tocar por você
Tocar pra você
E nesse samba antigo
Seu preferido
Te sinto chegar
Para me salvar
Do vazio dessa solidão