segunda-feira, março 31, 2008

...

No dia que ele descobriu
não quis sequer acreditar
era difícil pensar
que o tão desejado
estava ao alcance de suas mãos
sempre tão incrédulas.

...

Renata Maria

"O importante é a luz, mesmo quando consome;
a cinza é mais digna que a matéria intacta
e a salvação pertence somente àqueles
que aceitarem a loucura correndo em suas veias."

(Caio Fernando - Fragmentos)

quarta-feira, março 26, 2008

InColor
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e o céu mudou de cor
cor de solidão
de saudade
e assim se pintou
daquela mesma dor
do coração dela
quando soube que ele
nunca
mais
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Renata Maria

quinta-feira, março 06, 2008

Efeitos artificiais


Efeitos artificiais em dias felizes
Luz de néon pintando o rosto conhecido
Na fotografia um mendigo do tempo espera
Meu coração é um escravo de janelas abertas
Onde escrevo de lápis poemas de Drummond
E penso em fugir à cada cinco minutos
Me espera um pouco mais
Vou te buscar, só não sei aonde.

Renata Maria

quarta-feira, março 05, 2008

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"Na minha memória - já tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos"
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"para sempre"

descobri no teu amor
o sentido maior
da vida
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Vida que se renova
e faz da cinza
chama viva
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Essa tua vida louca
é tão minha
só eu sei
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Ainda teimam em dizer
que o "para sempre"
não existe
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Existe sim e o meu
teima em morar
em você
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Renata Costa

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

maior

Existe em mim uma falta
que me queima os poros
e me falta o ar
Existe em mim um apelo
que me rasga o peito
e me faz rastejar
Existe em mim uma dor
que me range os dentes
e me faz gritar
Existe em mim uma saudade
que me lacera a alma
e me faz cantar bem alto
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uma canção em dó maior.


Renata Maria

terça-feira, fevereiro 26, 2008


"Iniciei mil vezes o diálogo.
Não há jeito.
Tenho me fatigado tanto todos os dias
vestindo
despindo
e arrastando amor
infância
sóis e sonhos."
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Hilda Hilst



"Sob o mesmo céu
Cada cidade é uma aldeia, uma pessoa,
Um sonho, uma nação.
Sob o mesmo céu,
Meu coração não tem fronteiras,
Nem relógio, nem bandeira,
Só o ritmo de uma canção maior".

Lenine / Lula Queiroga

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Vamos arrancar todos os quadros dos corredores

Colorir as paredes de poesia

E vamos pedir piedade.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

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teimando em encontrar cor
rasgou as paredes
com as unhas
quebrou o telhado
com os pés
rompeu o chão
com os dentes
arrancou as janelas
com o pensamento
quando o cansaço chegou
a teimosia calou
o silêncio tomou forma
enfim os olhos se abriram
e os corredores voltaram a ser coloridos
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terça-feira, fevereiro 12, 2008

Vermelho Bourbon
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E mesmo com o céu anunciando uma não trégua a tristeza, ela resolveu sair. Só queria ver os barquinhos de papel na correnteza das cochias sujas, esperando vê-los descer fortemente pelas ondas, até naufragar em algum bueiro ou atracar em qualquer superfície mais seca ou copo descartável ou pedra mais alta de calçamento. Saiu olhando para o chão, olhando o movimento dos próprios pés, levemente molhados e incomodados por grão de areia das calçadas encharcadas. Ela gosta dos pés, acha-os pequenos e pálidos. Por um instante pára de olhá-los e volta a buscar os barquinhos. Se diverte, sorrindo e apreciando o invejável bailar dos passarinhos na chuva. Continua andando, agora, em passos largos, espaços. Percorre diversas Ruas, atravessa Avenidas e nada de encontrar nenhum barquinho de papel. De repente, uma dor, assim, meio distraída. Assustada, ela olha para um dos pés, pequeno, pálido e agora ferido, vermelho de sangue, cor de bourbon. Não chora, mas sente uma imensa revolta. Vê que foi um caco, um triste caco partido, abandonado e perverso que atravessou seu pequeno pé. Pensa na marca, cicatriz profunda que nunca mais fará ela esquecer àquela chuva, a cochia suja, o lixo amontoado entre os paralelepipedos e mesmo sem olhar para o céu, os pássaros continuam lá, dançando e cantando livremente. Mas por um momento, a dor já não há, nem a revolta, nem os pés, nem a palidez, nem o caco, nem a cicatriz, tudo parece sumir, adormercer. Agora, é só o sangue vermelho que escorre na correnteza, fazendo-a parecer algo romântico, cor de paixão, de botão na primavera, de batom de meretriz, e dançando sobre ela o barquinho, que navegando vai partindo, descendo lentamente à correnteza e se vai, levando um sonho, uma vontade, um desejo vermelho cor de bourbon.
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Renata Maria

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

"Se tem de ser, não separam mais..."

Um Sonho Pra Viver
Beto Guedes


Quem há de saber
Como o nosso amor começou
Vi o seu olhar
A brilhar aceso na multidão
Tocou meu coração
E tudo mudou

Um só desejo uniu dois corações
Quem sabe dizer
Quanto tempo iria durar
Um amor assim
Justamente o que eu queria pra mim
Um sonho pra viver, e sei que vivi

Mãos que se unem, terão lugar ao sol
A voz amiga do vento traz
A sinfonia da paz
Mãos que se dão, dois corações
Se tem de ser, não separam mais

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Por "Tu"
Só pra "Tu"...


"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus...como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme...só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!"

Um dia, só por Ele vou querer ser sempre ser mais, todos os dias.
Um dia, só por Ele vou amar muito mais, todos os dias.
Quem sabe isso quer dizer amor...

segunda-feira, janeiro 28, 2008

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"O anjo se desprende desse teto escuro
e o fumo se eleva sobre a rosa:
é hora, dá-me tua mão
e vem comigo pelo espaço."
(Lúcio Cardoso)

É tempo de meios silêncios e palavras indiretas, suspiros e meios sorrisos.
Abra bem os poros e entenda os meus sentidos.
Hoje, esse é o meu tempo.

Renata Maria

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Beta

Estive doente
doente dos olhos, doente da boca, dos nervos até.
Dos olhos que viram mulheres formosas
da boca que disse poemas em brasa
dos nervos manchados de fumo e café.
Estive doente
estou em repouso, não posso escrever.

"Eu quero um punhado de estrelas maduras, eu quero a doçura do verbo viver."

(Louco Anônimo)




quinta-feira, janeiro 17, 2008

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- Oi, meu bem.
- Oi...
- Hoje ouvi uma música e pensei tanto em você.
- Fico feliz de saber, hoje tive um dia tão chato.
- Foi mesmo, que pena. Queria estar perto pra cantar no seu ouvido.
- Também queria você aqui, pertinho de mim.
- Vou cantar um pedacinho, você sabe qual é a música.

É assim:

"Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você."

- Sei, sei, também gosto dela.
(silêncio)
- Hoje sinto que tenho uma missão.
- E qual é?Posso saber?
- Vou descomplicar o mundo!
(risos)

- É mesmo!
- Por que você aí também não tenta?
- Só se for com você.Vem pra cá, meu amor, tão bom te ver.
- Saudade?
- Saudade.

- Sabia que pensar em você me faz sorrir sozinha?
- Às vezes isso também acontece comigo.
(silêncio)
- Eu vou, mas promete que vai me ajudar a descomplicar o mundo?
- Acho que não preciso dizer mais nada.
(silêncio e risos)
- Tá bom, tô chegando.
- Te amo.
- O que?
- Nada não, vem logo que a chuva já começou.
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Afinal?

Acredito que todas as histórias de amor tem o final que merecem.
Mas, será que as histórias de amor sem final tem mesmo um amor sem fim?
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Então, brindemos o amor sem fim e as histórias de amor sem final.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Tentamos fugir, mas existem dias difíceis...


"Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco:
Quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
(Clarice)
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...saudade é isso que estou sentindo enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...
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quinta-feira, janeiro 10, 2008

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Amo um amor de céu azul bem clarinho...
Mas, hoje acho que não vou te ver.
Vou estender roupas no varal e sentir teu cheiro de longe,
trazido pelo vento que sopra no quintal.
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Foto: Renata Maria