sexta-feira, setembro 11, 2009

Alguns fragmentos

Quero repousar nos braços do mar

E ver a primavera colorindo esta manhã

Sei que são muitos os caminhos e poucas as respostas

Mas não se acanhe e leve tudo que quiser

Não preciso de mais nada que não seja sua vida

Renata Maria

Pequei tantas vezes por não saber o que é pecado

Muitas foram as cicatrizes que nunca sararam

E por tantos dias estive ausente de mim

Imensa é a dor que invade meu silêncio

Só amor me faz voltar a cantar

E eu canto!


Renata Maria

“Sabia gosto de você chegar assim

Arrancando páginas dentro de mim

Desde o primeiro dia

Sabia que ia acontecer você um dia

E claro que já não me valeria nada tudo que eu sabia”


Buarque de Holanda

quinta-feira, setembro 03, 2009

...

"No seu mundo de cetim, assim,
Debochando da dor, do pecado
Do tempo perdido, do jogo acabado


E ela ainda está sambando

Sambando..."

...

segunda-feira, agosto 31, 2009

Samba do Amor de Sempre

Sinto um pesar que me apavora
É como se eu sentisse
Que você já vai embora
Mas sei que na verdade
Eu nunca me enganei
Que o seu coração
Sempre foi dele
Nunca meu
Eu minto pra mim mesmo
E vou tentando me enganar
Assim eu vou vivendo
A vida sem pensar na solidão
Sempre amando e perdoando
Esse seu leviano coração

Renata Maria

terça-feira, agosto 18, 2009

Tudo, tudo bem...


"No fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços e você me beija e você me aperta e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem."

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, agosto 12, 2009


O fantástico mundo de Maria
...


Sentada à beira da calçada, ela observava o mundo a sua volta.
Era quase claro, como a cor refletida nos olhos de sua mãe.
Pela primeira vez na vida, ela sentiu falta daquele homem enorme que
poderia carregar o seu mundo nas costas.
Apesar da meninice, sua maturidade havia chegado cedo demais,
e o mundo já pesava há tempos em suas costas miúdas.
Foi a única vez na vida que a vi chorar. Chorar como criança.
Criança que cedo se perdeu por culpa do peso do mundo que, na verdade, nem era seu.

Renata Maria

segunda-feira, julho 20, 2009

Sem correções, sem críticas, sem mais o quê...


A vida como ela é...

Ela entrou pela porta da frente como se anunciasse mais uma despedida. Olhar assustado, mas decidido. O medo dele transpareceu em seu semblante e ela pôde senti-lo em seus olhos. Talvez isso a tenha dado mais coragem para manter-se firme em sua decisão. Como em todos os dias ela tirou as sandálias e as deixou no canto da sala, mas precisamente no lado esquerdo da porta da frente, ligou o som e correu para a cozinha, pois tinha que preparar um café. Ele acompanhou atento, meio bobo, todos os seus mínimos movimentos como se fosse a primeira vez que a visse ou pelo menos, gostaria que assim fosse. Mas, não era, e ele não podia continuar a enganar-se de tal forma. O café já começava a cheirar e ela cantava alto  sua música preferida que chegava quase como um sussurro na sala. Aquela música enchia sua alma de alegria e alto-estima, trazia também boas lembranças de tempos não muito distantes, mas isso agora não importava tanto. Ele resolveu ir a cozinha no intuito de tomar um café e olhar novamente para ela, queria ver se continuava com aquele deslumbre bobo que sentira há poucos minutos ou se a ilusão já havia sumido. Encostou-se à parede ao lado da porta e a olhou. Ela como sempre despercebida, continuava cantando alto e lavando as xícaras, molhando um pouco a camiseta lilás de malha e a calça jeans desbotada, apesar de nova, e batendo o pezinho descalço como se acompanhasse o compasso da música. Naquele momento ele sorriu e a amou, não da mesma forma, mas amou. Era como se aquele sentimento o tomasse com um fulgor indescritível. Quando ele percebeu que ela estava prestes a se virar, desviou estrategicamente o olhar para os pães e biscoitos que estavam na mesa. E mais uma vez, o amor torna-se mero coadjuvante.

Renata Maria

quinta-feira, julho 16, 2009

Para ouvir ao som de " Se ella me faltara alguna vez" Pablo Milanés...

Sim, sins

Quem nunca chorou sozinho lembrando de um amor que se foi querendo ficar.
Quem nunca sentiu uma vontade de voltar no tempo e resgatar um momento.
Quem nunca desejou ter o poder de continuar amando aquele amor quase perfeito.
Quem nunca quis romper com o mundo para alcançar um horizonte inalcansável.
Quem nunca permaneceu horas a fio na escuridão pensando em como seria se tivesse sido.
Quem nunca cantou alto uma canção sentindo todo o corpo arrepiar de saudade.
Quem nunca sentiu uma alegria arrasadora que parecia partir de emoção todas as cordas do coração.

Respondo sim, desejo sins, sempre.

Quem nunca?

Renata Maria

terça-feira, julho 14, 2009

Incondicional

Seus olhos tinham a cor do inevitável.
Um tempo que, talvez, já nem tenha mais cor.
Mas o seu grito de longe se ouvia como o rugir de uma tempestade.
E sua dor era de um vermelho sangue indefinível.

Renata Maria
 

sábado, julho 04, 2009

Fragmentos de dor, pedacinho de Caio...

"Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva."

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, junho 29, 2009

"Anunciação"

Ela já quase não sentia, mas preferia que ainda estivesse lá.
Às vezes, no meio da noite, ela ouvia o seu pulsar distante.
Tentava trazê-la mais perto, mas ela, continuava teimando em não se aproximar.
Isso não era um bom presságio, pois para ela, dor tem que doer lá no fundo e seguir seguindo...
doendo
sugando
pulsando
vivendo
até matar
de cansaço.

Renata Maria

sábado, junho 27, 2009

Romance

Eu sinto um pesar que me apavora

É como se eu sentisse que você já vai embora

Me mata, me maltrata sem pensar

Me esqueça, se queixa , me deixa

Não quero nem sequer saber já te perdi

Mas na verdade eu sei que eu nunca me enganei

Que o seu coração sempre foi dele nunca meu

Eu minto pra mim mesmo e assim sigo levando

Amando pela vida um coração tão leviano

Renata Maria

quarta-feira, junho 24, 2009

Para cantar em alto e bom tom:

"Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei, que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita!"

domingo, junho 21, 2009


Convite

Sou um labirinto repleto de portas abertas para o abismo.

Entrem, e fiquem à vontade!


Renata Maria

...estou à beira da minha janela e o entardecer está lindo.
Escrevo porque sinto saudades e meus olhos estão rasos d'água.
Queria fazer alguns versos pra você, ou para mim, quem sabe...

Renata Maria

terça-feira, junho 02, 2009


...O vento soprou e levou toda a cinza do que um dia foi poesia
Mas o amor permanecia queimando lá num cantinho da imaginação
E quem sabe, um dia, o mesmo vento voltará com tanta intensidade
que arrancará o cansaço, o tempo e a desilusão 
E o amor estará lá, desnudo, em meio aos destroços, pronto para virar
novamente poesia...

Renata Maria


segunda-feira, maio 18, 2009

Simplesmente

Hoje ouvi a quietude do céu
Senti a leveza de um sorriso quase infantil
Percebi o vôo sereno de uma lembrança
Hoje acreditei que o mundo estava em paz
Assim como eu

Renata Maria

quinta-feira, maio 14, 2009

A morte de Amélie













Amélie morreu
Se foi com seu vestido cor de carmim
E um sorriso quase cínico
Morreu duvidando da dor
Brincando com o fim
...
Amélie morreu
Era um sexta-feira chuvosa
Sem riso, sem cores, sem festa
Só sobrava naquela manhã o sorriso dela
Dizendo sim, cor de carmim
...
Amélie morreu
E sorrindo se foi
Despedindo-se de nós
Fazendo piada de nossas vidinhas
Que são sempre tão sem graça.
...

Renata Maria

Epitáfio


Num quarto de hospício a louca escrevia intermináveis cartas de amor
Escrevia com fervor versos e poesias
 esperando ansiosamente as noites de Lua cheia
Nessas mesmas noites ela dançava e cantava canções de outrora que só ela conhecia
Um dia a Lua cheia saiu e o silêncio se fez em seu refúgio
Seu corpo se pôs imóvel e a louca calou-se para sempre 
Cansou de cantar a miséria de um grande amor que nunca responde. 

Renata Maria