terça-feira, fevereiro 12, 2008

Vermelho Bourbon
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E mesmo com o céu anunciando uma não trégua a tristeza, ela resolveu sair. Só queria ver os barquinhos de papel na correnteza das cochias sujas, esperando vê-los descer fortemente pelas ondas, até naufragar em algum bueiro ou atracar em qualquer superfície mais seca ou copo descartável ou pedra mais alta de calçamento. Saiu olhando para o chão, olhando o movimento dos próprios pés, levemente molhados e incomodados por grão de areia das calçadas encharcadas. Ela gosta dos pés, acha-os pequenos e pálidos. Por um instante pára de olhá-los e volta a buscar os barquinhos. Se diverte, sorrindo e apreciando o invejável bailar dos passarinhos na chuva. Continua andando, agora, em passos largos, espaços. Percorre diversas Ruas, atravessa Avenidas e nada de encontrar nenhum barquinho de papel. De repente, uma dor, assim, meio distraída. Assustada, ela olha para um dos pés, pequeno, pálido e agora ferido, vermelho de sangue, cor de bourbon. Não chora, mas sente uma imensa revolta. Vê que foi um caco, um triste caco partido, abandonado e perverso que atravessou seu pequeno pé. Pensa na marca, cicatriz profunda que nunca mais fará ela esquecer àquela chuva, a cochia suja, o lixo amontoado entre os paralelepipedos e mesmo sem olhar para o céu, os pássaros continuam lá, dançando e cantando livremente. Mas por um momento, a dor já não há, nem a revolta, nem os pés, nem a palidez, nem o caco, nem a cicatriz, tudo parece sumir, adormercer. Agora, é só o sangue vermelho que escorre na correnteza, fazendo-a parecer algo romântico, cor de paixão, de botão na primavera, de batom de meretriz, e dançando sobre ela o barquinho, que navegando vai partindo, descendo lentamente à correnteza e se vai, levando um sonho, uma vontade, um desejo vermelho cor de bourbon.
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Renata Maria

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

"Se tem de ser, não separam mais..."

Um Sonho Pra Viver
Beto Guedes


Quem há de saber
Como o nosso amor começou
Vi o seu olhar
A brilhar aceso na multidão
Tocou meu coração
E tudo mudou

Um só desejo uniu dois corações
Quem sabe dizer
Quanto tempo iria durar
Um amor assim
Justamente o que eu queria pra mim
Um sonho pra viver, e sei que vivi

Mãos que se unem, terão lugar ao sol
A voz amiga do vento traz
A sinfonia da paz
Mãos que se dão, dois corações
Se tem de ser, não separam mais

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Por "Tu"
Só pra "Tu"...


"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus...como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme...só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!"

Um dia, só por Ele vou querer ser sempre ser mais, todos os dias.
Um dia, só por Ele vou amar muito mais, todos os dias.
Quem sabe isso quer dizer amor...

segunda-feira, janeiro 28, 2008

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"O anjo se desprende desse teto escuro
e o fumo se eleva sobre a rosa:
é hora, dá-me tua mão
e vem comigo pelo espaço."
(Lúcio Cardoso)

É tempo de meios silêncios e palavras indiretas, suspiros e meios sorrisos.
Abra bem os poros e entenda os meus sentidos.
Hoje, esse é o meu tempo.

Renata Maria

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Beta

Estive doente
doente dos olhos, doente da boca, dos nervos até.
Dos olhos que viram mulheres formosas
da boca que disse poemas em brasa
dos nervos manchados de fumo e café.
Estive doente
estou em repouso, não posso escrever.

"Eu quero um punhado de estrelas maduras, eu quero a doçura do verbo viver."

(Louco Anônimo)




quinta-feira, janeiro 17, 2008

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- Oi, meu bem.
- Oi...
- Hoje ouvi uma música e pensei tanto em você.
- Fico feliz de saber, hoje tive um dia tão chato.
- Foi mesmo, que pena. Queria estar perto pra cantar no seu ouvido.
- Também queria você aqui, pertinho de mim.
- Vou cantar um pedacinho, você sabe qual é a música.

É assim:

"Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você."

- Sei, sei, também gosto dela.
(silêncio)
- Hoje sinto que tenho uma missão.
- E qual é?Posso saber?
- Vou descomplicar o mundo!
(risos)

- É mesmo!
- Por que você aí também não tenta?
- Só se for com você.Vem pra cá, meu amor, tão bom te ver.
- Saudade?
- Saudade.

- Sabia que pensar em você me faz sorrir sozinha?
- Às vezes isso também acontece comigo.
(silêncio)
- Eu vou, mas promete que vai me ajudar a descomplicar o mundo?
- Acho que não preciso dizer mais nada.
(silêncio e risos)
- Tá bom, tô chegando.
- Te amo.
- O que?
- Nada não, vem logo que a chuva já começou.
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Afinal?

Acredito que todas as histórias de amor tem o final que merecem.
Mas, será que as histórias de amor sem final tem mesmo um amor sem fim?
...

Então, brindemos o amor sem fim e as histórias de amor sem final.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Tentamos fugir, mas existem dias difíceis...


"Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco:
Quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
(Clarice)
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...saudade é isso que estou sentindo enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...
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quinta-feira, janeiro 10, 2008

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Amo um amor de céu azul bem clarinho...
Mas, hoje acho que não vou te ver.
Vou estender roupas no varal e sentir teu cheiro de longe,
trazido pelo vento que sopra no quintal.
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Foto: Renata Maria

quarta-feira, janeiro 09, 2008

A historinha do Passeio...


Pedaço de Janeiro










Era uma vez "Eu" e "Tu"...
Certo dia, enquanto Tu dormia no colo de Eu
Eu sonhava acordada com Tu no colo
O tempo passou, o Sol se mudou, o Mar balançou
Passarinho cantou, o vento dançou e tudo se pintou em viva cor.
Assim foi, aquele pedaço de tarde...
Eu e Tu se foram, andando e amando pelo Passeio
Protegidos sem saber, pela luz do amor que habita o Baobá.
No fundo, tentando despretensiosamente ser felizes,
Caminhando sutilmente de mãos dadas com o destino.
...
Ah, mas não acabou não.
E como já dizia Clarice no conto:
"E foram felizes para sempre, pois o sempre é infinito."
...Um quasentido...


oscorredoresparecemenormes
as cores tão vivas que chegam a doer nos olhos
tua voz e a música me aconchegam entre as paredes infindas
Penso em te escrever uma carta e não enviar
chego a te ouvir me chamando no fim do corredor
rasgoacortinadecoloridosretalhosdesaudade
corroteabraço & quaseparodesentirfrio.


Foto: Renata Maria

segunda-feira, janeiro 07, 2008

É uma vontade que vem assim, assim...

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"Quero ficar com você
E é tão fundo
Que eu posso dizer
Que o fim do mundo
Não vai chegar mais

Quero ficar com você
E é glória do saber querer
Com longa história
Pra frente e pra trás"

Renato Braz

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Crepusculário

Solto em meio à imensidão azul,
céu de tarde quente,
seus olhos se perdiam nos meus
tão timidamente,
e um sorriso se fez
maravilhosamente indeciso
dizendo sim em silêncio
a todas as minhas perguntas.
Nós nos beijamos ardentemente,
como se o mundo fosse expectador
de um filme à beira-mar
e a atmosfera se pintou de uma cor
que aqueles olhos nunca
poderão esquecer.

Lua

quinta-feira, dezembro 13, 2007

...

Hoje acordei pensando:

"Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto."

Bom, agora só tenho uma certeza: isso são sintomas gravíssimos de saudade...
Vini, querido amigo.
Vim agradecer o imenso carinho sempre tão bem expressado na doçura de suas palavras...

"Renata é uma luz que adentra nossas vidas.Costumo dizer que a amo e não sei explicar esse sentimento porque ela corre por dentro de minha pele. Apenas consigo sentir. Espero ser seu amigo para sempre. Sei que você gostará da poesia. Fernando Pessoa a escreveu para você. Numa outra vida... Em outra estação... Beijos..."

Vinícius Ferraz

Eu quero colo
Um berço
Um braço quente em torno do meu pescoço
Uma voz que cante baixo
Que pareça querer me fazer chorar.
Eu quero um calor no inverno
Um extravio morno da minha consciência.
E depois em sumo
Um sonho calmo
Um espaço enorme
Como a Lua rodando entre as estrelas.

“Fernando Pessoa”

quarta-feira, dezembro 12, 2007

ÀS 21:36

...JURO: PENSEI FUGIR
COMO CRIANÇA DESOBEDIENTE
QUANDO ME DEPAREI
HAVIA UM IMENSO ABISMO
DIANTE DE MIM
E TUDO AO REDOR
À ELE PERTENCIA
JÁ NÃO PODIA SALTAR
CAIRÍA NOVAMENTE
NO MAIS PROFUNDO DE MIM
QUE TAMBÉM É DELE...

BILHETE DATADO DE: 26 DE DEZEMBRO DE 1977.


terça-feira, dezembro 11, 2007

Caio para mim, para ti...

"...Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando penso em você. Assim: de repente ao dobrar uma esquina dou de cara com você que me prega um susto de mentirinha como aqueles que as crianças pregam umas nas outras. Finjo que me assusto, você me abraça e vamos tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortelã ou comer salada de frutas em qualquer lugar. Assim: estou pensando em você e o telefone toca e corta o meu pensamento e do outro lado do fio você me diz: estou pensando tanto em você. Digo eu também, mas não sei o que falamos em seguida porque ficamos meio encabulados, a gente tem muito pudor de parecer ridículos melosos piegas bregas românticos pueris banais. Mas no que eu penso, penso também que somos meio tudo isso, não tem jeito, é tudo que vamos dizendo, quando falamos no meu pensamento, é frágil como a voz de Olívia Byington cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagal que Van Gogh, mais Jarmush que Win Wenders, mais Cecília Meireles que Nelson Rodrigues.Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um pouco tolo, meio melodramático, e penso então tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca minha mão, eu toco na sua.Demora tanto que só depois de passarem três mil dias consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então feito mergulhar numas águas verdes tão cristalinas que têm algas na superfície ressaltadas contra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir vezemquando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo..."
"No centro do furacão"
...


"Vórtice, voragem, vertigem: qualquer abismo nas estrelas de papel brilhante no teto."

Foto: Renata Maria

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Mais tarde...

Eles nada pretendiam
e mesmo assim, aconteceu.
Aconteceu daquele jeito:
sem se esperar,
sem se saber que aconteceria.
Um dia desses, comum
mas agora, especial.
Verbos conjugados.
Dois, conjugados no plural.
Plural inconcebível ou incontestável.
São, estão, estaram...
E assim, se foram.
Ela de táxi,
conversando com a lua da janela.
Ele a pé,
contando as estrela da rua.
Os dois,
mais tarde,
de mãos dadas com o infinito.

Lua
Início

Ele,
distante,
olhou nos meus olhos.
Suspirou,
não sei se de medo
ou paixão.

Eu,
intensa,
olhei nos seus olhos.
Sorri,
querendo entender
o meu pulsar.

Ele,
olhou para o céu,
desviou meu olhar.
E procurando um talvez,
no fim,
devolveu o sorriso.

Lua