quarta-feira, março 26, 2008

InColor
.
.
e o céu mudou de cor
cor de solidão
de saudade
e assim se pintou
daquela mesma dor
do coração dela
quando soube que ele
nunca
mais
.
.
Renata Maria

quinta-feira, março 06, 2008

Efeitos artificiais


Efeitos artificiais em dias felizes
Luz de néon pintando o rosto conhecido
Na fotografia um mendigo do tempo espera
Meu coração é um escravo de janelas abertas
Onde escrevo de lápis poemas de Drummond
E penso em fugir à cada cinco minutos
Me espera um pouco mais
Vou te buscar, só não sei aonde.

Renata Maria

quarta-feira, março 05, 2008

.
.
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"Na minha memória - já tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos"
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.
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"para sempre"

descobri no teu amor
o sentido maior
da vida
.
Vida que se renova
e faz da cinza
chama viva
.
Essa tua vida louca
é tão minha
só eu sei
.
Ainda teimam em dizer
que o "para sempre"
não existe
.
Existe sim e o meu
teima em morar
em você
.

Renata Costa

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

maior

Existe em mim uma falta
que me queima os poros
e me falta o ar
Existe em mim um apelo
que me rasga o peito
e me faz rastejar
Existe em mim uma dor
que me range os dentes
e me faz gritar
Existe em mim uma saudade
que me lacera a alma
e me faz cantar bem alto
.
.
uma canção em dó maior.


Renata Maria

terça-feira, fevereiro 26, 2008


"Iniciei mil vezes o diálogo.
Não há jeito.
Tenho me fatigado tanto todos os dias
vestindo
despindo
e arrastando amor
infância
sóis e sonhos."
.
.
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Hilda Hilst



"Sob o mesmo céu
Cada cidade é uma aldeia, uma pessoa,
Um sonho, uma nação.
Sob o mesmo céu,
Meu coração não tem fronteiras,
Nem relógio, nem bandeira,
Só o ritmo de uma canção maior".

Lenine / Lula Queiroga

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Vamos arrancar todos os quadros dos corredores

Colorir as paredes de poesia

E vamos pedir piedade.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

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teimando em encontrar cor
rasgou as paredes
com as unhas
quebrou o telhado
com os pés
rompeu o chão
com os dentes
arrancou as janelas
com o pensamento
quando o cansaço chegou
a teimosia calou
o silêncio tomou forma
enfim os olhos se abriram
e os corredores voltaram a ser coloridos
.
.


terça-feira, fevereiro 12, 2008

Vermelho Bourbon
.
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E mesmo com o céu anunciando uma não trégua a tristeza, ela resolveu sair. Só queria ver os barquinhos de papel na correnteza das cochias sujas, esperando vê-los descer fortemente pelas ondas, até naufragar em algum bueiro ou atracar em qualquer superfície mais seca ou copo descartável ou pedra mais alta de calçamento. Saiu olhando para o chão, olhando o movimento dos próprios pés, levemente molhados e incomodados por grão de areia das calçadas encharcadas. Ela gosta dos pés, acha-os pequenos e pálidos. Por um instante pára de olhá-los e volta a buscar os barquinhos. Se diverte, sorrindo e apreciando o invejável bailar dos passarinhos na chuva. Continua andando, agora, em passos largos, espaços. Percorre diversas Ruas, atravessa Avenidas e nada de encontrar nenhum barquinho de papel. De repente, uma dor, assim, meio distraída. Assustada, ela olha para um dos pés, pequeno, pálido e agora ferido, vermelho de sangue, cor de bourbon. Não chora, mas sente uma imensa revolta. Vê que foi um caco, um triste caco partido, abandonado e perverso que atravessou seu pequeno pé. Pensa na marca, cicatriz profunda que nunca mais fará ela esquecer àquela chuva, a cochia suja, o lixo amontoado entre os paralelepipedos e mesmo sem olhar para o céu, os pássaros continuam lá, dançando e cantando livremente. Mas por um momento, a dor já não há, nem a revolta, nem os pés, nem a palidez, nem o caco, nem a cicatriz, tudo parece sumir, adormercer. Agora, é só o sangue vermelho que escorre na correnteza, fazendo-a parecer algo romântico, cor de paixão, de botão na primavera, de batom de meretriz, e dançando sobre ela o barquinho, que navegando vai partindo, descendo lentamente à correnteza e se vai, levando um sonho, uma vontade, um desejo vermelho cor de bourbon.
.
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Renata Maria

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

"Se tem de ser, não separam mais..."

Um Sonho Pra Viver
Beto Guedes


Quem há de saber
Como o nosso amor começou
Vi o seu olhar
A brilhar aceso na multidão
Tocou meu coração
E tudo mudou

Um só desejo uniu dois corações
Quem sabe dizer
Quanto tempo iria durar
Um amor assim
Justamente o que eu queria pra mim
Um sonho pra viver, e sei que vivi

Mãos que se unem, terão lugar ao sol
A voz amiga do vento traz
A sinfonia da paz
Mãos que se dão, dois corações
Se tem de ser, não separam mais

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Por "Tu"
Só pra "Tu"...


"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus...como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme...só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!"

Um dia, só por Ele vou querer ser sempre ser mais, todos os dias.
Um dia, só por Ele vou amar muito mais, todos os dias.
Quem sabe isso quer dizer amor...

segunda-feira, janeiro 28, 2008

. . .
"O anjo se desprende desse teto escuro
e o fumo se eleva sobre a rosa:
é hora, dá-me tua mão
e vem comigo pelo espaço."
(Lúcio Cardoso)

É tempo de meios silêncios e palavras indiretas, suspiros e meios sorrisos.
Abra bem os poros e entenda os meus sentidos.
Hoje, esse é o meu tempo.

Renata Maria

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Beta

Estive doente
doente dos olhos, doente da boca, dos nervos até.
Dos olhos que viram mulheres formosas
da boca que disse poemas em brasa
dos nervos manchados de fumo e café.
Estive doente
estou em repouso, não posso escrever.

"Eu quero um punhado de estrelas maduras, eu quero a doçura do verbo viver."

(Louco Anônimo)




quinta-feira, janeiro 17, 2008

.
.
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- Oi, meu bem.
- Oi...
- Hoje ouvi uma música e pensei tanto em você.
- Fico feliz de saber, hoje tive um dia tão chato.
- Foi mesmo, que pena. Queria estar perto pra cantar no seu ouvido.
- Também queria você aqui, pertinho de mim.
- Vou cantar um pedacinho, você sabe qual é a música.

É assim:

"Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você."

- Sei, sei, também gosto dela.
(silêncio)
- Hoje sinto que tenho uma missão.
- E qual é?Posso saber?
- Vou descomplicar o mundo!
(risos)

- É mesmo!
- Por que você aí também não tenta?
- Só se for com você.Vem pra cá, meu amor, tão bom te ver.
- Saudade?
- Saudade.

- Sabia que pensar em você me faz sorrir sozinha?
- Às vezes isso também acontece comigo.
(silêncio)
- Eu vou, mas promete que vai me ajudar a descomplicar o mundo?
- Acho que não preciso dizer mais nada.
(silêncio e risos)
- Tá bom, tô chegando.
- Te amo.
- O que?
- Nada não, vem logo que a chuva já começou.
.
.
.




Afinal?

Acredito que todas as histórias de amor tem o final que merecem.
Mas, será que as histórias de amor sem final tem mesmo um amor sem fim?
...

Então, brindemos o amor sem fim e as histórias de amor sem final.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Tentamos fugir, mas existem dias difíceis...


"Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco:
Quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
(Clarice)
.
.
.
...saudade é isso que estou sentindo enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...
.
.
.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

...
Amo um amor de céu azul bem clarinho...
Mas, hoje acho que não vou te ver.
Vou estender roupas no varal e sentir teu cheiro de longe,
trazido pelo vento que sopra no quintal.
...
Foto: Renata Maria

quarta-feira, janeiro 09, 2008

A historinha do Passeio...


Pedaço de Janeiro










Era uma vez "Eu" e "Tu"...
Certo dia, enquanto Tu dormia no colo de Eu
Eu sonhava acordada com Tu no colo
O tempo passou, o Sol se mudou, o Mar balançou
Passarinho cantou, o vento dançou e tudo se pintou em viva cor.
Assim foi, aquele pedaço de tarde...
Eu e Tu se foram, andando e amando pelo Passeio
Protegidos sem saber, pela luz do amor que habita o Baobá.
No fundo, tentando despretensiosamente ser felizes,
Caminhando sutilmente de mãos dadas com o destino.
...
Ah, mas não acabou não.
E como já dizia Clarice no conto:
"E foram felizes para sempre, pois o sempre é infinito."
...Um quasentido...


oscorredoresparecemenormes
as cores tão vivas que chegam a doer nos olhos
tua voz e a música me aconchegam entre as paredes infindas
Penso em te escrever uma carta e não enviar
chego a te ouvir me chamando no fim do corredor
rasgoacortinadecoloridosretalhosdesaudade
corroteabraço & quaseparodesentirfrio.


Foto: Renata Maria

segunda-feira, janeiro 07, 2008

É uma vontade que vem assim, assim...

.
.
.
"Quero ficar com você
E é tão fundo
Que eu posso dizer
Que o fim do mundo
Não vai chegar mais

Quero ficar com você
E é glória do saber querer
Com longa história
Pra frente e pra trás"

Renato Braz

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Crepusculário

Solto em meio à imensidão azul,
céu de tarde quente,
seus olhos se perdiam nos meus
tão timidamente,
e um sorriso se fez
maravilhosamente indeciso
dizendo sim em silêncio
a todas as minhas perguntas.
Nós nos beijamos ardentemente,
como se o mundo fosse expectador
de um filme à beira-mar
e a atmosfera se pintou de uma cor
que aqueles olhos nunca
poderão esquecer.

Lua

quinta-feira, dezembro 13, 2007

...

Hoje acordei pensando:

"Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto."

Bom, agora só tenho uma certeza: isso são sintomas gravíssimos de saudade...
Vini, querido amigo.
Vim agradecer o imenso carinho sempre tão bem expressado na doçura de suas palavras...

"Renata é uma luz que adentra nossas vidas.Costumo dizer que a amo e não sei explicar esse sentimento porque ela corre por dentro de minha pele. Apenas consigo sentir. Espero ser seu amigo para sempre. Sei que você gostará da poesia. Fernando Pessoa a escreveu para você. Numa outra vida... Em outra estação... Beijos..."

Vinícius Ferraz

Eu quero colo
Um berço
Um braço quente em torno do meu pescoço
Uma voz que cante baixo
Que pareça querer me fazer chorar.
Eu quero um calor no inverno
Um extravio morno da minha consciência.
E depois em sumo
Um sonho calmo
Um espaço enorme
Como a Lua rodando entre as estrelas.

“Fernando Pessoa”

quarta-feira, dezembro 12, 2007

ÀS 21:36

...JURO: PENSEI FUGIR
COMO CRIANÇA DESOBEDIENTE
QUANDO ME DEPAREI
HAVIA UM IMENSO ABISMO
DIANTE DE MIM
E TUDO AO REDOR
À ELE PERTENCIA
JÁ NÃO PODIA SALTAR
CAIRÍA NOVAMENTE
NO MAIS PROFUNDO DE MIM
QUE TAMBÉM É DELE...

BILHETE DATADO DE: 26 DE DEZEMBRO DE 1977.


terça-feira, dezembro 11, 2007

Caio para mim, para ti...

"...Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando penso em você. Assim: de repente ao dobrar uma esquina dou de cara com você que me prega um susto de mentirinha como aqueles que as crianças pregam umas nas outras. Finjo que me assusto, você me abraça e vamos tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortelã ou comer salada de frutas em qualquer lugar. Assim: estou pensando em você e o telefone toca e corta o meu pensamento e do outro lado do fio você me diz: estou pensando tanto em você. Digo eu também, mas não sei o que falamos em seguida porque ficamos meio encabulados, a gente tem muito pudor de parecer ridículos melosos piegas bregas românticos pueris banais. Mas no que eu penso, penso também que somos meio tudo isso, não tem jeito, é tudo que vamos dizendo, quando falamos no meu pensamento, é frágil como a voz de Olívia Byington cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagal que Van Gogh, mais Jarmush que Win Wenders, mais Cecília Meireles que Nelson Rodrigues.Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um pouco tolo, meio melodramático, e penso então tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca minha mão, eu toco na sua.Demora tanto que só depois de passarem três mil dias consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então feito mergulhar numas águas verdes tão cristalinas que têm algas na superfície ressaltadas contra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir vezemquando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo..."
"No centro do furacão"
...


"Vórtice, voragem, vertigem: qualquer abismo nas estrelas de papel brilhante no teto."

Foto: Renata Maria

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Mais tarde...

Eles nada pretendiam
e mesmo assim, aconteceu.
Aconteceu daquele jeito:
sem se esperar,
sem se saber que aconteceria.
Um dia desses, comum
mas agora, especial.
Verbos conjugados.
Dois, conjugados no plural.
Plural inconcebível ou incontestável.
São, estão, estaram...
E assim, se foram.
Ela de táxi,
conversando com a lua da janela.
Ele a pé,
contando as estrela da rua.
Os dois,
mais tarde,
de mãos dadas com o infinito.

Lua
Início

Ele,
distante,
olhou nos meus olhos.
Suspirou,
não sei se de medo
ou paixão.

Eu,
intensa,
olhei nos seus olhos.
Sorri,
querendo entender
o meu pulsar.

Ele,
olhou para o céu,
desviou meu olhar.
E procurando um talvez,
no fim,
devolveu o sorriso.

Lua

sexta-feira, dezembro 07, 2007

O Poeta Inventa Viagem,
Retorno e Morre de Saudade

Hilda Hilst

Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia -
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Ela por Ela
Eu por Ela...

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
...

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.

Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...]Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei."

Clarice

quarta-feira, novembro 28, 2007

moça da tarde

se errei caminhos
acertei o teu
não vou mentir
segui teus passos
espaços no espaço
passagem em tempo
dos dias de desalento
onde ventania soprou
fazendo serenata
do sorriso largo
cheio de fervor
por encontrar
aquele antigo amor

para a moça da tarde que nunca esqueceu aquele antigo amor.


Lua


terça-feira, novembro 20, 2007

re ta lhos
...

teci

com as cores
do teu olhar
um manto
de

retalhos

para cobrir
a saudade
que me invade

quando eles
estão longe

tudo

fica


sem cor...

segunda-feira, novembro 19, 2007

"Te encontro com certeza, talvez no tempo da delicadeza..."

Delicadeza

com a ponta
do pé
ela tocou
o frio

da chuva
de ontem
à noite
inteira

sem dormir
seus olhos
borbulhavam
saudade

da noite
do frio
da ponta do pé
no outro pé.


Lua

quarta-feira, outubro 24, 2007

Doce Lar


Quando menos se espera
encontra-se o amor
em uma esquina
acenando com o olhar
pedindo pra ficar
com malas e retratos
lembranças
e esperanças
.
Quando menos se espera
ele já está dentro da gente
uma flor, uma luz
um sorriso inesquecível
sonhos eternos
na magia do cotidiano
entranhados
no coração
.
Quando menos se espera
ele toma forma
passos no corredor
sombras no abajur
cheiro no jardim
e mesmo quando não está
se faz presente
mesmo assim
.
Quando menos se espera
tudo aconteceu
eu e você você e eu
na parede da sala
num retrato feliz
e embaixo a seguinte legenda:
o amor reina neste lugar
lar doce lar
.
Lua


quinta-feira, outubro 18, 2007

"La danse"

olhando para dentro de si
ela rodopia e cai
colorida e leve
como a sua saia
quando ela a tira
para dançar o amor
à noite inteira

chaque soir.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Inverso

toca
com a ponta
e escorre
manchando
todo o rosto
de preto
borrando
a triste
expressão
saudosa
.
.
.
tua
não
mais
minha.

Lua

quarta-feira, outubro 10, 2007

Para Ernesto e Che

homem
mortal
eterno
herói
pai
filho
marido
irmão
guerrilheiro
sonhador
corpo flácido
morno
olhos vivos
sorriso sereno
diário de palavras
farrapos nos pés
descanso da luta
de dias
e noites
sem cessar
causa perdida?!
não!
a vitória
só começou
e a morte
não apagou
o vermelho
do sangue
da luta
da causa
da bandeira
do coração
estilhaçado de bala
mas palpitante
por toda a história
até o fim
e se o fim
existir
será vermelho.

segunda-feira, outubro 08, 2007

40 anõs sin Che
Breve meditação sobre um retrato de Che Guevara



Por José Saramago

Não importa que retrato. Qualquer um: sério, sorrindo, arma em punho, com Fidel ou sem Fidel, dizendo um discurso nas Nações Unidas, ou morto, com o dorso nú e olhos entreabertos, como se do outro lado da vida ainda quisera acompanhar o rastro do mundo que teve que deixar, como se não se resignasse a ignorar para sempre os caminhos das infinitas criaturas que estavam por nascer. Sobre cada uma dessas imagens se poderia reflexionar profundamente, de um modo lírico ou de um modo dramático, com a objetividade prosaica do historiador ou simplesmente de alguém que se dispõe a falar do amigo que descobre haver perdido porque não o chegou a conhecer.Ao Portugal infeliz e amordaçado de Salazar e de Caetano chegou um dia o retrato clandestino de Ernesto Che Guevara, o mais célebre de todos, aquele feito com manchas fortes de negro e vermelho, que se converteu na imagem universal dos sonhos revolucionários do mundo, promessa de vitórias a tal ponto fertéis que nunca poderiam se degenerar em rotinas nem em exepcismos, antes dariam lugar a outros muitos triunfos, o do bem sobre o mal, o do justo sobre o inícuo, o da liberdade sobre a necessidade. Emoldurado ou fixo na parede por meios precários, esse retrato esteve presente em debates políticos apaixonados na terra portuguesa, exaltou argumentos, atenuou desânimos, namorou esperanças. Foi visto como um Cristo que havia descido da cruz para descrucificar a humanidade, como um ser dotado de poderes absolutos que fosse capaz de extrair de uma pedra a água na qual se mataria toda a sede, e de transformar essa mesma água no vinho com que se beberia o esplendor da vida. E tudo isto era certo porque o retrato de Che Guevara foi, aos olhos de milhões de pessoas, o retrato da dignidade suprema do ser humano.Mas foi também usado como adorno incongruente em muitas casas da pequena e da média burguesia intelectual portuguesa, para cujos integrantes as ideologias políticas de afirmação socialista não passavam de um mero capricho conjuntural, forma supostamente arriscada de ocupar ócios mentais, frivolidade mundana que não pôde resistir ao primeiro choque da realidade, quando os fatos vieram exigir o cumprimento das palavras. Então, o retrato do Che Guevara, testemunha, primeiro, de tantos inflamados anúncios de compromisso e ação futura, juiz, agora, do medo encoberto, da renúncia covarde ou da traição aberta, foi retirado das paredes, escondido, na melhor da hipóteses, no fundo de um armário, ou radicalmente destruído, como se fosse motivo de vergonha.Uma das lições políticas mais instrutivas, nos tempos de hoje, seria saber o que pensavam de si mesmos esses milhares e milhares de homens e mulheres que em todo o mundo tiveram algum dia o retrato de Che Guevara na cabeceira da cama, ou na frente da mesa de trabalho, ou na sala onde recebiam os amigos, e que agora sorriem por haver acreditado ou fingido crer. Alguns diriam que a vida mudou, que Che Guevara, ao perder sua guerra, fez perder a nossa, e por tanto era inútil chorar, como uma criança que chora pelo leite derramado. Outros confessariam que se deixaram envolver por uma moda da época, a mesma que fez crescer barbas e cabelos, como se a revolução fosse uma questão de barbeiros. Os mais honestos reconheceriam que lhes dói o coração, que sentem em um movimento perpétuo de um remordimento, como se sua verdadeira vida houvesse suspendida o curso e agora lhes perguntasse, obsessivamente, aonde pensam que vão sem ideais nem esperança, sem uma idéia de futuro que dê algum sentido ao presente. Che Guevara, se assim pode dizer, já existia antes de ter nascido.Che Guevara, se assim pode afirmar, continua existindo depois de morto. Porque Che Guevara é somente o outro nome do que há de mais justo e digno no espírito humano. O que devemos despertar para conhecer e conhecemos, para agregar o passo humilde de cada um ao caminho de todos.
José Saramago, escritor e Premio Nobel de Literatura.

terça-feira, outubro 02, 2007

Por tanto querer...


"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro.
Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "

Caio Fernando

quinta-feira, setembro 27, 2007

À l'attente








Dans moi le chante de la salle
le sourire de lui
il a nettoyé les chants
poussiéreuxdes
parties restantes
vieuxd'un un récent passé
Dans moi le chante de la salle
le sourire de lui
il a illuminé le foncé
à l'attente
du nouveau sourire
qu'il coûtait
pour arriver

Lune

terça-feira, setembro 25, 2007

Busca

De verde se vestiu
e saiu sem nada dizer
precisava encontrar
tudo aquilo que perdeu
mas nem sempre se encontram
verdades entre folhas secas
principalmente quando é Primavera.

Lua

segunda-feira, agosto 27, 2007

Emoção de cor laranja













"Ele dissipa o amor. Na voz, nos gestos, no suor, no violão. "

É incrível a energia atrativa desse ruivo de traços peculiares, corpo frágil e intensidade contagiosa. Além do vasto repertório de letras extremamente interessantes e belas, verdadeiros "Mantras", e sua forma de se colocar diante do mundo e do público são sensacionais. Com sua visão de continuidade da vida através do amor, ele embriaga aos que ouvem sua música com o coração, nos faz vibrar, sorrir, chorar e ver "As coisas tão mais lindas" que existem nesse mundo, que como ele mesmo diz: Nós é que estragamos. Ela também não poderia deixar de ser lembrada, Cássia Éller, foi homenagiada em diversos momentos do show, mas principalmente quando ele cantou "All Star" que foi feita para ela e gravada no seu último disco, que a mesma nem sequer teve tempo de lançar.
O show do CD Luau MTV com Os Infernais teve exatos 140 minutos de duração. Cenário vermelho e laranja predominando: a cor do sol e a cor dos cabelos de Nando e Zoé, filha mais nova homenageada em Espatódea - nome de uma árvore que dá uma flor laranja. Sem surpresas, Nando detonou e deixou Fortaleza laranja de emoção. Sem timidez também, só óculos Ray Ban e peito aberto pra sentir toda a nossa vibração.
Assim, com toda essa energia positiva "Quem vai dizer tchau?"
Só poderemos guardar toda essa emoção em um "Relicário" num cantinho especial do coração.

* Cenas bacanas do show de ontem aqui:


http://www.youtube.com/watch?v=T7QLN0PzlbY&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=Y02UyVPw5Iw&NR=1

segunda-feira, agosto 20, 2007

Quem sou eu?









Uma Rua sem nome
Um beco sem saída
Uma Avenida sem canteiro
Uma noite enluarada
Uma poesia de Quintana
Uma praia nublada
Uma música de Noel
Uma placa virada ao contrário
Uma brisa leve na estrada
Uma das Luas de 27 de agosto
Um sorriso de Domingo
Um café bem forte
Um verso de Chico
Um cheiro de Outono
Uma parede verde desbotada
Uma saudade esquecida
Uma árvore na Praça Verde
Um ladrilho preto e branco
Uma foto na caixinha de madeira
Um tumulto no céu
Uma chuva no Polo Sul
Um dedo no anel de Saturno
Uma estrela da Constelação de Órion
Um lírio no sertão
Um sentido dormente
Uma vendinha velha
...
Fechada para balanço

Lua

terça-feira, julho 24, 2007

*Monocromático*


Dia nublado
perdido em Ruas
repletas de buzinas alucinadas
Meu coração
atravessa na faixa
como uma flecha rasgando
a tarde nublada
Cheio de saudades
e preguiça de recomeçar
mais uma vez
Agora chove
e ele chove junto
lágrimas de comodismo
Tudo muda de cor
menos ele
que como sempre
continua cinza.
*
Lua

terça-feira, julho 17, 2007

Rostos da minha terra

À sombra do poeta
Todos são diferentes
Todos são iguais
Indecifráveis sorrisos
Brandos, serenos, insanos
Onde metade do mundo já foi
Para um dia, quem sabe?!
Ou talvez, nunca mais.
Os rostos da minha terra
Tem sob os dedos sinal de fogo
Nos corações um ardor de fornalha
E em seus sonhos uma breve ilusão
Sonhos que giram e retornam
Impunemente ao mesmo lugar
Ciclo vicioso que está longe de acabar
A descoberta de um mundo novo
É a esperança que dança breve no vento
E nos alivia deste Sol que nos queima
Todos os dias, sem cansar.

Lua





A noiva de sandálias vermelhas


Do outro lado da rua
à espera, ela sorri.
A noiva de sandálias vermelhas
solitária, me olha querendo acreditar
que em instantes tudo vai mudar
ou será quê?!
Acho que fugiu do altar
quer continuar a pecar
ela só não sabe
que a solidão não tem cor
mas ela, usa sandálias vermelhas.



Lua