segunda-feira, julho 16, 2007

"Carnaval só no ano que vem"
...


É esse o título do CD da brilhante, Orquestra Imperial.Não espere ouvir no primeiro álbum da Orquestra Imperial a reprodução dos incensados bailes comandados pela big-band carioca. Se o EP editado em fevereiro empolgava com quatro sambas antigos, tocados à moda dos shows feitos pela turma, Carnaval Só Ano que Vem troca a folia pela serenidade. É CD de inéditas que aposta em timbres mais calmos urdidos sob a batuta do produtor Mario Caldato Jr. A mudança de clima já é perceptível na abolerada O Mar e o Ar e Rodrigo Amarante(Los Hermanos), que abre o disco com levada que remete a João Donato - referência que se detecta também em Yarusha Djaruba, de tonalidade cubana. Há, sim, os sambas de formato mais tradicional (Salamaleque e Era Bom são os melhores), mas o disco extrapola o universo da dança. Jardim de Alah e Rue de mes Souvenirs (o tema cool cantado em francês por Thalma de Freitas) evocam a velha bossa. Interpretada pela boa Nina Becker, De um Amor em Paz esboça viagem psicodélica. Enfim, os grooves são outros. Não tão contagiantes quanto os do EP carnavalesco, só que corajosos. A Orquestra Imperial não se apresenta como uma banda de covers neste primeiro álbum que também ambiciona o mercado estrangeiro. Carnaval, só no show. Com esse time de músicos e cantores de altíssima qualidade e bom gosto, não tem como não existir a certeza de um CD excepcional, que até já está soando no meio musical como o melhor do ano.Quem vai perder essa "folia"?

Faixas

1. O Mar e o Ar 2. Não Foi em Vão 3. Ereção 4. Jardim de Alah 5. Rue de Mes Souvenirs 6. Yarusha Djaruba 7. Era Bom 8. Salamaleque 9. Ela Rebola 10. De um Amor em Paz 11. Supermercado do Amor

quinta-feira, julho 05, 2007

Enlace

Espaço
do passo
que passa
e espalha
Enlaça
o compasso
descompassado
do despaço
que laça
e ata
.
.
.
o meu coração

Lua











quinta-feira, junho 28, 2007

Um pouco de mim?!

A PERSONALIDADE DO CANCERIANO


SÍMBOLO DA IMAGINAÇÃO

"Eu busco a mim mesmo através do que sinto"

Dia 03 de Julho

2º Decanato:Apesar de aparentemente ser calmo e tímido é impaciente, persistente e sempre apaixonado (02/07 a 11/07).


"Era manhã quando DEUS parou diante de suas doze crianças e em cada uma delas plantou a semente da vida humana. Uma por uma, elas dirigiram-se a Ele para receber seu dom e conhecer sua missão ".

" Para você, Câncer, dou a tarefa de ensinar aos homens sobre emoção. Minha idéia é você causar-lhes risos e lágrimas para que tudo que vejam e pensem se desenvolva com plenitude interior. Para isso, dou-lhe o dom da família , para que sua plenitude possa se multiplicar".


ELEMENTO: Ar

PLANETA: Lua

GÊNERO: Feminino

PAR IDEAL: Capricórnio

COR: Branco e Prateado

PEDRAS: Cristal, Pérola e Esmeralda

METAL: Prata

PERFUME: Lilás, Lírio e Rosa

PLANTAS E FLORES: Tília, Lírios e Juncos que crescem em água

DIA DE SORTE: 2º feira

N º DE SORTE: 02

ESTRELA GUIA: Sírius

PLANO DE VIDA: Astral

MAGIA: Espíritos da água - Ondinas

PRINCIPAL CARACTERÍSTICA: Impressionabilidade

PERSONALIDADE: Alegre, generoso, imaginativo e sonhador, o canceriano refugia-se em sua casa sempre que pressente o perigo, pois precisa de proteção. Apesar da índole pacífica, é desconfiado e um pouco receoso. A mulher de câncer é dedicada ao lar e à família.

VIRTUDES: Cuidado com as necessidades e vontades dos outros; excessiva sensibilidade e amorosidade.

DEFEITOS: Irritabilidade; medos infundados e um pouco de teimosia.

AMBIENTE: É favorável ao ambiente que lhe garanta proteção, devendo ser, preferencialmente, o mar, mas também lagos e montanhas.

ATIVIDADES: Evita profissões competitivas, sendo bem sucedido quando possui autonomia e segurança. Literatura, música e teatro poderão levá-lo ao sucesso.

segunda-feira, junho 18, 2007

Ousados











Vi teus sapatos
Usados
Ousados
Entrelaçando
Meus pés
Cansados
Saudosos
Dos teus
Formam um belo par, não acha?!
Lindos
Apaixonados
Sempre juntos
Caminhando
Ou deitados
E principalmente
Quando apontam o teto
Estrelado
Do quarto

Ardendo

Queimando

Amando

Lua



segunda-feira, junho 11, 2007

Para ler ao som de Pra te lembrar...

Lembranças de cada dia

Cada noite é uma saudade
Saudade que dói, machuca e cresce
Cada Lua é uma lembrança
Lembrança minha e tua
O que tem de comum entre elas:
Estás presente em todas.
Em cada noite, em cada Lua
Por todos os meus dias de saudade
Em todas as minhas lembranças de cada dia.

Lua

terça-feira, junho 05, 2007

Feliz da vida

Hoje vou cantar
Aquela triste melodia
Vesti a velha fantasia
E vou pra pista sambar

Quero ver
A linda Colombina
Que me roubou a vida
E me fez amar

Hoje vou morrer
Em plena Avenida
Mas, vou feliz da vida
Lá no céu chegar

Encontrei
Encontrei
O meu amor da vida
Estou feliz da vida
Nunca vou te deixar

Hj vou morrer
Em plena Avenida
Mas, vou feliz da vida
Lá no céu chegar

Encontrei
Encontrei
O meu amor da vida
Estou feliz da vida
Nunca vou te deixar

Renata Costa

segunda-feira, junho 04, 2007

À mesa

É um trecho da poesia que eu mais gosto do meu querido poeta, Wiliam Lial.
Essa é a forma mais bela que um homem pode olhar para uma mulher, como única no mundo.Isso me lembra bem o Pequeno Príncipe em suas sábias palavras e sentimentos pela sua rosa, para ele "única no mundo".Essa eu deixo para os apaixonados e suas musas inspiradoras e que assim seja!

"E longe d'ali,
lá fora,
tudo contribuía com ela:
a noite quieta,
a lua espiando escondida,
as pessoas invisíveis a passar,
teimando em tentar existir;

enquanto,
frente a tudo,
diante de seu rosto,
eu não sabia
o que a fazia mais bonita:
o simples fato de existir,
ou o simples fato de
fazer o resto do mundo não existir."

William Lial

No fundo de si

...
Ela sorriu, mas não durou.
Veio àquela lembrança de sempre e ele partiu com medo.
Já não a visitava com frequência e quando assim o fazia, assutava-se com suas loucuras.Ela novamente tentou, mas dessa vez, seu rosto nem sequer movimentou.
Assustada desceu as escadas, tão decidida, como nunca antes.Cruzou a cozinha, o corredor e parou na sala.A TV ligada e um cheiro familiar debruçado no sofá vermelho encarnado assistia atento ao patético programa de Domingo, nem seuqer percebeu o desespero em seus olhos.
Mesmo assim ela pensou desistir, mas logo desistiu de desistir.Calçou as botas, vestiu o casaco que estava estendido nas costas da cadeira ao lado da porta e olhou seu reflexo no quadro à sua frente, olhou-se com medo e ao mesmo tempo uma espécie de orgulho estranho e se foi.Dia frio, sem cor.A ventania parecia trazê-la mais e mais recordações de tempos bons, felizes talvez.Ela olha as pessoas envergonhada como se todas soubessem o que ela pretendia.Por vezes, se questionou estar certa e sempre tinha a mesma resposta em sua emnte, não!Acho que por isso continuou.Durante toda sua vida fez o que estava dentro da razão, do que era mais sábio e correto, mas agora estava decidida a fazer diferente, estava decidida a mudar seu destino a deixar a insensatez comandar suas vontades.
Depois de caminhar por mais de uma hora, avistou o antigo prédio de número 43 da rua de sua infância.A ruazinha tranquila cheia de árvores e cheiros antigos, lembranças quase tocáveis.Ela podia ver as crianças brincando na pequena praça em frente, inclusive ela.Podia se ver com um vestido amarelo de bolinhas brancas que ganhou de sua avó e um chapeuzinho cor-de-rosa com flores miúdas na aba.Sentiu o cheiro de colônia fresca que sua mãe passava pela manhã ao acordar e também do cheiro de folhas secas do Outono daquele ano.Ali ela foi feliz e o sorriso a visitava todos os dias e quase sempre o dia todo.O velho porteiro era o mesmo e a reconheceu contente, contou um pouco do que aconteceu com seus vizinhos, dos rumos que deram as suas vidas e que algumas famílias ainda continuavam morando ali.Ouviu, mas já não se interessava pelo presente.Pediu para subir até a caixa d´água, pois era o seu lugar predileto na infância, seu esconderijo secreto, seu refúgio.Gostava de fugir para lá quando apanhava do pai ou simplesmente quando queria ver melhor o pôr-do-sol, lá do alto sentia-se superior, intocável, bobagem de criança.
A paisagem mudou, mas não muito.E a vontade de encontrá-lo tornava-se cada vez mais intensa.Sentou-se na caixa d'água e esperou silenciosamente a hora do pôr-do-sol, sem Sol.Naquele dia ele não apareceu, o céu estava pálido, um branco fosco e sem expressão.Parecia triste, sem vida.Os sinos da capela batem.São seis horas em ponto, ela acorda do transe e vê que está na hora de ir.Levanta devagar, limpa com cuidado a calça e caminha em direção a mureta de proteção da caixa d'água.Sua vontade de vê-lo é maior do que seu medo de altura, ela sobe sem olhar para baixo, equilibra-se, fecha os olhos e sente o vento frio acariciando seus cabelos.Imagina-se quando subia na árvore para pular de barriga na lagoa e sorria com o estalo na água.Começou a ouvir seu sorriso e foi em busca dele que ela veio, foi em busca dele que ela resolveu pular novamente na lagoa, para ver se o encontra lá no fundo, no fundo de si.
...
Lua

segunda-feira, maio 28, 2007

Cruzamento

Bem que tentei, tu sabes.
Mas, já não podia tentar,
tudo era em vão.
Aquele olhar desconhecido
e misteriosamente fascinante,
me fazia esquecer o rumo
a noção de tempo e espaço.
Quantas vezes me perdi
voltando para casa,
no meio do caminho.
Onde a conheci?
- Em uma esquina da vida.
Só depois percebi,

a placa estava virada ao contrário.

Lua
Amores em cores












Cores de todas as cores
Colorindo amores
Pintando ilusão

Cores de tantas belezas
Mulheres princesas
Vermelho paixão

Cores por todos os lados
Coração em pedaços
Tanta desilusão

Cores manchando o espaço
Borrando os pecados
Dos corpos no chão

Cores de dores e amores
Amores de tantas as dores
Dores de amores em cores

Lua

quarta-feira, maio 23, 2007

Sophia de Melo Breyner Andresen

Felicidade

Pela flor pelo vento pelo fogo
Pela estrela da noite tão límpida e serena
Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo
Pelo amor sem ironia - por tudo
Que atentamente esperamos
Reconheci tua presença incerta
Tua presença fantástica e liberta

segunda-feira, maio 21, 2007

Samba encantado

Canta,
Teu samba encantado
Da cor do pecado
Que eu quero te ver
Ver o teu corpo molhado
Morrer em meus braços
No amanhecer


Samba,
Teu samba maneiro
Veneno ligeiro
Pra nunca morrer
Morrer a alegria do morro
Que pede socorro
No anoitecer


Bamba,
Na roda de samba
Não deixe cansar
O teu tamborim
Fim de toda a tristeza
Acabou a incerteza
Antes mesmo do fim.

Renata Costa

sexta-feira, maio 18, 2007

Deixe seu Recado

Meu coração está em aberto
para troca
ou para venda
escambo ou desengano
Pode entrar
a porta está escancarada
e antes de mais nada
deixe seu recado
dê seu lance
e vá embora
Qualquer dia, quem sabe
aceito a proposta
ou te retorno
para você me subornar
ou tentar me assaltar
Meu coração está pendurado
dou ele por qualquer trocado
só não aceito esmola
e vê se não amola
com esse "eu te amo" disfarçado
Mas, não esqueçe!
Faz nele o que tú quiseres
samba, canta e sapateia
deixa a lixeira cheia
faça festa a noite inteira
Mas, antes de sair
não tente se despedir
feche bem a porta
que é para ele não ver
os versos que fiz pra você
enquanto ele dormia.

Lua


Margarida

Adentra minha vida
Cura essa ferida
Há tempos tão doída
Minha Margarida

Pinta minha ida
Com luzes coloridas
Borrando a despedida
Minha Margarida

Impede minha partida
Saudade tão sofrida
Da moça pequenina
Minha Margarida

Pequenina moça
Tens pena de mim
Levas para onde minha vida?
Para sempre, minha Margarida.


Lua


terça-feira, maio 15, 2007

Triângulo amoroso


No canto empoeirado da venda
Repousa a triste Mariposa
Beijando eternamente o verniz do armário
Trazendo paz àquela escuridão
Do outro lado do balcão
O velho vendedor observa
A mariposa triste entre a fresta
E na sua eterna solidão
Pensa em sua vida ausente e
Na sorte que nunca lhe bateu à porta
Queria um amor de todos os dias
Como o armário, da Mariposa triste
No silêncio secreto daquele lugar
Surge serena a luz do Luar
Adentrando o leito incansável
Da triste mariposa e seu armário
E o velho tocador de rua
Faz versos na Rua Nua
Corpo colorido de fitas e espelhos
Cantando alto, o louco desvairado
Embala mais uma noite de amor
Entre o velho vendedor
a Mariposa triste
e o amário empoeirado.

Lua







quinta-feira, maio 10, 2007

"Prece ao Domingo"
Hoje é quinta
e o vento sopra quente
Amanhã é sexta
e a brisa é fresca
No Sábado
o acaso é tempestade
Sem te ver,
Todos os dias são iguais.
Lua

segunda-feira, maio 07, 2007

Não tente compreender-me
...

Não tentem compreender-me,
Se nem eu sempre me compreendo.
Compreender-me seria decifrar-me
E assim
Assassinar a máscara
Que tanto me custou criar.
Sem minha máscara
Sou igual ao mais igual dos homens,
Eu.


William Lial

"Show do Chico"

E o povo se embevecia....











"Imagina
Imagina
Hoje à noite
A gente se peder"


E nessa noite todos se perderam ao som do sempre surpreendente e doce, Chico buarque de Holanda.Em meio a escuridão e o anúncio do início do show, a emoção tomava o coração daqueles que tanto esperaram e há tanto tempo não ouviam aquela voz tão surreal ao vivo.O show teve início poucos minutos após as 21 horas, seguindo até perto das 23 horas. Tempo suficiente para Chico e banda desfilarem mais de 30 canções, passeando por todo o repertório do álbum “Carioca”, que inspira reflexões do cotidiano urbano. Destaque para as belas versões ao vivo de faixas como “As atrizes”, “Ode aos ratos”, “Sempre” e “Imagina”, parceria entre Chico e Tom Jobim, saudado no palco pelo cantor, dividindo os vocais com a tecladista Bia Paes Leme, um dos momentos mais emocionantes do show.Outro momento bastante emocionante foi quando o cantor fez questão de saudar Jorge Hélder, contrabaixista da banda de Chico e parceiro do compositor em “Bolero blues”. “Muito obrigado a Jorge Hélder, meu parceiro nesta canção, meu irmão cearense", em uma das suas poucas palavras durante a apresentação.Perdidos em melodias novas e antigas, de pais e filhos, amores e desilusões, todos eram uma só emoção.

Ao final, para o delírio da platéia “João e Maria”, de Chico e Sivuca.Nós, ficaremos na esperança de outro dia, novamente, rever esse carioca tão cativante em nossa Terra da Luz.E eu, vou finalizando por aqui, pois só de lembrar dessa noite a emoção não me deixa mais escrever.
P.S: No dia seguinte, tive o privilégio de ver a passagem de som e conhecer esse homem lindo em todos os sentidos!!!Emoção sem descrição...
(Foto: Camarim do Siará Hall, 25/04/07)

terça-feira, abril 17, 2007

Teu sorriso...


Entre colunas brancas
e paredes vermelhas
Nascem iluminadas
todas as verdades
Esqueço crenças
e pôres-do-sol
Saudades de noites
e dias distantes
Acredito somente
naquilo que vejo
Teu sorriso cega
todas as minhas mentiras
E eu, amanheço prostrado,
morto em tua luz.

Lua

segunda-feira, abril 09, 2007

Aquele cheiro
Som
Imagem

do teu corpo
me incendeiam

É um rio

carregado de saudade

Vem correr
na minha veia.


(Cordel do Fogo Encantado)



Ao se pôr...


Lá fora, dia claro e quente.

Aqui dentro, noite fria e imensa.

Tú, minha eterna tarde ensolarada.


Lua

quinta-feira, março 29, 2007

Engano
...

Paralelas se cruzam
na restia de luz
...Paixão...

Promessas sem legendas
dedos em movimeto
...Traços...

Amanhã à mesma hora
Cena do cotidiano
...Silêncio...

Da janela do alto
Céu e concreto
..Espera...
...
A foto na parede
Datada de 1965
...Memória...

Ao fundo um horizonte doce
Plana na tarde chuvosa
...Saudade...

Além do portão
Em busca de inspiração
...Você...

-Oh, desculpe foi engano!

Me perdoe a dor da imaginação...

Lua

terça-feira, março 27, 2007

Lua e Estrela, um par perfeito...

Hoje o céu é belo e prateado... Cobre a cidade uma chuva abençoada, que desce lavando almas e corações apaixonados. Sinto-me bem e feliz!Como eu disse "...o dia seguinte sempre é mais fácil."

Adoro essa música, acho mesmo que ela parece comigo...

Lua e Estrela
Caetano Veloso
Composição: Vinicius Cantuária


Menina do anel de lua e estrela
Raios de sol no céu da cidade
Brilho da lua oh oh oh, noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade

Manhã chegandoLuzes morrendo, nesse espelho
Que é nossa cidade
Quem é você, oh oh oh qual o seu nome
Conta pra mim, diz como eu te encontro
Mas deixa o destino, deixe ao acaso
Quem sabe eu te encontro
De noite no Baixo
Brilho da lua oh oh oh, noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade

segunda-feira, março 26, 2007

...Hoje não quero sentir nada além das batidas rasgadas do meu coração.
Psiu!Será que dá pra fazer silêncio...

sábado, março 24, 2007

"Dia seguinte"

...
Naquela tarde ela sorriu e saiu sem nada dizer.Parecia que eu sentia sua felicidade brotando dos seus pequeninos olhos turvos.Sabia também que logo, logo o sofrimento seria algo inevitável, mas ela teria que ser forte.Ter a certeza de estar ao meu lado era um conforto, como um colo de mãe quando se perde o primeiro amor.Esperei o portão bater e o vento entrar pelas venezianas refrescando meu rosto tranquilo.Fui a cozinha e coloquei a água no fogo, precisava de um café bem forte ou pelo menos sentir o cheiro dele espalhando-se pela sala.Esse cheiro me faz bem, acalma meus sentidos, consigo pensar melhor.Sentei na poltrona da sala e pensei no imenso amor que sinto por ela e o quanto isso me faz bem.Me vi sorrindo sozinha e comecei a sentir o cheiro do café.Sentei na cadeira fria de alumínio da cozinha e tomando o café quis fugir por um instante para encontrá-la.Sabia que ela necessitava do meu cheiro perto de seu rosto como quando a abraço e tudo parece parar.Lá fora o céu está indeciso entre o sol e alguns nuvens chuvosas.Tenho que encontrar aquele CD que tem aquela música que tanto gostamos de ouvir e dizer que é nossa.Hum...aqui está.Como é bom, posso vê-la cantando e olhando fundo nos meus olhos.Acho que ela também pode ouvir e sentir-se melhor, mais protegida.As horas passaram-se lentas e minha vontade de ouvir o bater do portão me fizeram dormir.O portão!Acordei.Já anoiteceu e novamente senti o ventinho vindo das venezianas, dessa vez mais forte e frio.Meu coração estendeu-se num suspiro.Vê-la entrando me aliviou de uma forma impressionante.O CD já chegara ao fim e o café continuava na panela em cima do fogão, frio.Seu sorriso não estava tão largo e aos poucos transformava-se em algo triste e cada vez mais triste, até as lágrimas descerem incontidamente.Eu sabia, esperava por isso.Pude sentir sua decepção, sua frustração com o mundo que lhe criou.Por mais que tudo parecesse desabar, eu estava ali e ela também.O amor nos unia e fortalecia nossas mãos para reconstruir tudo.Abri os braços e chorei com ela dentro deles.Nossos cheiros tão conhecidos estavam molhados e presos em estampas de blusas.Tudo vai passar, eu disse.Ela acreditou e sorriu um sorriso calmo.Levantei e fui buscar uma dose de wisky e alguns pedaços de queijo coalho.Quando me aproximei da rede vi seu sono tranquilo e necessário.Ela amanheceria melhor.Tudo no dia seguinte é mais fácil, torna-se mais comum.Diante daquele ser tão indefeso senti o tamanho do amor que tenho e do quanto o mundo é cruel e traiçoeiro conosco.Ela se mexeu, acomodando-se de maneira mais confortável.Sei que sentiu o meu amor, o meu olhar, a minha proteção.Voltei o CD e coloquei num volume que não atrapalhasse seu sono.Deitei no chão ao lado rede e fiquei observando o céu da janela.O movimento das nuvens e o brilho das estrelas em meio àquela imensidão escura e imcompreensível.Pensei em tanta coisa.Lembranças, saudades, sonhos, pedaços da minha vida passavam como as nuvens diante de meus olhos.Sorri e fechei os olhos.Dormi como se ainda estivesse me vendo aqui, acordada.Naquela noite tive um sonho estranho.Sonhei que ela sorria e saía sem nada dizer.
Lua

terça-feira, março 20, 2007

C.

"sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu deus mas como você me dói vez em quando.”

Caio Fernando

segunda-feira, março 12, 2007


Carlinha, amiga que amo.
Essa música dedico a você, apesar dela já ser sua...Gostei muito do trecho que fala dos Domigos chuvosos. Apesar de ser sua, me identifiquei muito com tudo que ela passa, consigo sentir, é realmente muito gostosa!

Funny Little Frog (tradução)
Belle And Sebastian

Sapinho engraçado


Querida te amar é a melhor coisa
Eu consigo ser eu mesmo e consigo cantar
Eu consigo brincar de ser irresponsável
Eu venho para casa tarde da noite e eu amo sua alma
Eu nunca te esqueço em minhas orações
Eu nunca tenho algo de ruim para reportar

Você é minha foto na parede
Você é minha visão no corredor
Você é com quem eu converso
Quando eu volto do meu trabalho
Você é minha garota e você nem sabe
Eu estou vivendo na vida de um poeta

Eu sou o bobo na corte antiga
E você é o sapinho engraçado em minha garganta
A vista de meus olhos estão desaparecendo, minha audição está turva
Eu não consigo estar seguro do estado que eu estou
Eu sou um perigo pra mim mesmo eu tenho começado brigas
Na festa no clube numa noite de sábado

Mas eu não tenho desaprovação da minha garota
Ela tem todos os destaques envoltos em pérolas
Você é minha foto na parede
Você é minha visão no corredor
Você é com quem eu converso
Quando eu volto do meu trabalho

Você é minha garota e você nem sabe
Eu estou vivendo na vida de um poeta
Eu sou o bobo na corte antiga
E você é o sapinho engraçado em minha garganta
Eu tive uma conversa com você noite passada
Foi um pouco desvantajosa mas tudo bem

Eu te conto na cozinha sobre o meu dia
Você senta na cama no escuro trocando de lugar
Com o fantasma que estava lá antes de você vir
Você veio salvar minha vida denovo
Eu não me atrevo a tocar sua mão
Eu não me atrevo a pensar em você em uma forma física

E eu não sei como você cheira
Você é a capa da minha revista
Você é minha dica de moda, um museu vivo
Eu pagaria para te visitar em domingos chuvosos
Eu talvez te contarei sobre tudo isso um dia

sexta-feira, março 09, 2007

* Silêncios *

.................



Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer?Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma alegria além de ti.Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara.

( Extraído do livro Caio Fernando Abreu- Caio 3D, O Essencial da Década de 1980, p.186)

Entre linhas...

"Pagu tem os olhos moles, uns olhos de fazer doer,
Bate-coco quando passa, coração pega a bater
Eh Pagu eh! dói porque
É bom de fazer doer."
(Raul Bopp)
***
"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vividoaté a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata."
(Clarice Lispector)
**
"Como se tudo o mais me permitisses, a mim me fotografo
nuns portões de ferro, ocres, altos, e eu mesma
Diluída e mínima."
(Hilda Hilst)
*

quarta-feira, março 07, 2007

Para alguém que gosta de um ventilador, esse texto é pra ela...

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Existem dias e dias.
Para cada um existe uma verdade, muitas vezes não sabemos qual, mas existe.
Entender os sinais que são desenhados nas paredes de nossos olhos, é fundamental. Adoro quando os dias amanhecem nublados e um pouco mais frios, me sinto sempre bem em dias assim. Me encontro nesses dias em meio a sorrisos, sem saber extamente porque estou sorrindo por olhar o céu. Talvez por conseguir ver além do céu, pois sem a forte claridade do Sol é muito mais fácil. Independentemente disso, temos que vivê-los, sejam eles claros ou escuros, frios ou quentes, todos tem sua essência e seus segredos, basta querer desvedá-los ou simplesmente aceitar o que será sempre igual. Busco o desigual, mas pra falar a verdade, nem sempre consigo encontrá-lo e tudo continua como estava.
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Existem noites e noites.
As noite são sempre damas mais belas e misteriosas.
A noite minha existência torna-se mais viva e presente dentro de mim. Saio do círculo, ando em labirinto, corro para todos os meus lados e encontro meus "Eus". Gosto desses encontros noturnos em que meu coração adormece e sonha distante, principalmente quando essas noites são chuvosas e posso ouvir belle and sebastian e elevo meu espírito ao infinito. É bom esquecer quem somos, nem que seja de vez em quando. Fugir das mesmices cotidianas. Pensar em dias que "não sejam tão iguais, repletos de pessoas iguais e palavras iguais", como ouvi na noite passada e essas palavras me fizeram pensar muito. Será que sou sempre igual?!Não sei responder, mas prometo pensar. Não quero ser como tudo é, tão cansativo e morno. Tive vontade de ser um vento que sempre faz bem e mesmo sendo igual todos os dias, ele não cansa.
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Mas quando você partir...

Afterglow (tradução)
Travis


Pôr-do-Sol



Sentindo-me o tempo todo
O tempo todo me sentindo bem
Olhando a lua levanto um sorriso
Levanto um sorriso e faço ter todo o valor
Bem, se você quiser encontrar a parte da mente
Então você poderia encontrar quando quiser
Que você é o pôr do sol
Sentindo tudo bem o tempo todo
Todo o tempo indo apenas

Tirar uma página de minha vida
Sem minha vida deveria ser legal
Se você quiser encontrar a parte da mente
Então você poderia encontrar quando quiser

Que você é o pôr do sol
Você é a meia-noite à mostra
A única que eu conheço
Você viria e então você iria

Mas quando você sair partir
Você não me deixa nada pra mim

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Sophia de Mello Breyner

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APESAR DAS RUÍNAS E DA MORTE

Apesar das Ruínas e da Morte
Apesar das ruínas e da morte
Onde sempre acabou cada ilusão
A força dos meus sonhos é tão forte
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos estão vazias.
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CASA BRANCA
Casa branca em frente ao mar enorme, Com o teu jardim de areia e flores marinhas E o teu silêncio intacto em quem dorme O milagre das coisas que eram minhas.
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AUSÊNCIA
Num deserto sem água Numa noite sem lua Num país sem nome Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua
Cheiro de Outono










Posso estender minhas mãos

Para te buscarem no infinito Universo
E ver nascer uma estrela
No denso céu da tua boca
Céu, onde quero me perder
Para nos teus braços morrer
Quando, enfim, o dia clarear
Na hora mágica do amor
Sinto a multiplicidade dos sentidos
Onde vivo na duração das estações
E desde aquele devaneio de Abril
No qual vi florescer em meu peito
A flor do teu amor com cheiro de Outono
Entendi...
Me finquei nas tuas raízes
Amarrei meu corpo as tuas folhas
Descansei para sempre em tua terra
A semente do meu amor

Lua

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Para quem tem bom gosto, eu recomendo...

Amendoeira

Bebeto Castilho é um dos segredos mais bem guardados da música brasileira, que agora se revela. Sim, este CD solo como cantor (e flautista, e baixista, o que não é de jeito nenhum menos importante) do baixista e solista vocal do mítico Tamba Trio vai funcionar para a maior parte dos ouvintes como uma revelação. Para os outros, fãs como Caetano Veloso, autor do emocionado texto da contracapa, ou Milton Nascimento, que começou a cantar e a, não por acaso, tocar contrabaixo na noite para imitar o Bebeto do Tamba, será uma confirmação. Ou melhor, um sonho: ter à disposição do ouvido um disco inteiro conduzido pela voz de Bebeto, que só volta e meia era convocada nas gravações do Tamba Trio, um grupo notabilizado nos anos 60 e 70 pelas ousadas gravações instrumentais ou pelas harmonizações vocais do grupo formado por, além de Bebeto (contrabaixo, flauta, saxofone e voz solo), Luiz Eça (piano e intrincados arranjos) e Hélcio Milito (bateria e tamba, o set de percussão inventado por ele e que batizou o mais criativo dos nossos trios de bossa nova e samba jazz).

E que arte é essa? Por que Caetanos, Miltons e toda uma geração de artistas da música brasileira celebram tanto este senhor? Por que músicos da novíssima geração, como o sobrinho de Bebeto, Marcelo Camelo dos Los Hermanos, e Kassin, que produziram este CD, ainda continuam a ouvir e a se influenciar por ele?

Primeiramente porque Bebeto é um cantor único no panorama do samba e da música brasileira em geral. Ele canta como toca flauta, sem qualquer empostação, sem qualquer efeito exterior à música, sem qualquer interpretação, sem drama, apenas com as notas precisas, os graves, médios e agudos secos, precisos, com o colorido próprio da composição.

O CD, produzido pelo sobrinho neto "Marcelo Camelo" com zelo de filho pela arte refinada de Bebeto e por Kassin, respeita integralmente a concepção musical de Bebeto e a traduz. É calcado, por exemplo, na mesma formação instrumental do Tamba Trio: o baixo de Bebeto, a bateria (por Ivo Moreira Caldas, que já passou pela banda de Marcos Valle, Roberto Menescal e de tantos outros sambistas bossanovistas) e o piano de Laércio de Freitas, o popular Tio, um gênio não só do instrumento como dos arranjos para orquestra.

Os sambas que ele escolhe para cantar não têm harmonias truncadas, ângulos obtusos, embora o tratamento harmônico seja luxuoso, cuidadoso. São canções redondas que contam histórias, há uma fluidez carinhosa, define Marcelo Camelo. Ele próprio, Camelo, tem a honra de ter um samba gravado pelo tio, Amendoeira, samba-canção triste e leve, com um suingue sutil que não faz feio em meio a um repertório de clássicos como Minha Palhoça, samba de bossa de J. Cascata no qual divide os vocais com outro cantor especial, o baterista Wilson das Neves, e Cabelos Cor de Prata, samba também triste, elegante e leve (mais para suspiro do que lágrima) de Silvio Caldas.

Camelo mergulhou tanto no universo do tio que fez Amendoeira, inspirado em Salgueiro Chorão, samba de Durval Ferreira gravado no primeiro LP de Bebeto, e que também é uma “conversa” com uma árvore. Além de dar uma música para o tio, Camelo trouxe para o disco a juventude, nova geração da música brasileira. É gente como o produtor Kassin (produtor dos discos do Los Hermanos, do CD de Caetano Veloso e Jorge Mautner, do trio com Moreno Veloso e Domenico Lancellotti), e as cantoras Thalma de Freitas (filha do pianista Laércio, que divide com Bebeto os vocais no samba sincopado Pode Ser?, do especialista Geraldo Pereira e de Marino Pinto) e Nina Becker (com quem canta Beijo Distraído, de Durval Ferreira e Regina Werneck), ambas da Orquestra Imperial.

Um momento muito especial do disco é a estréia de um compositor, um tal Luiz Castilho, que tem seu samba de breque cheio de bossa Porta de Cinema, cantado por Bebeto em duo com Camelo. Sobrinho e tio se reúnem para celebrar Luiz, irmão de Bebeto, avô de Camelo, compositor inédito e prolífico, já falecido, e de quem Camelo sabe tudo e pretende aos poucos revelar.

Simples e musicalíssimo como Bebeto, o disco Amendoeira é, por muitos motivos, histórico e revelador. E além de muito bom demais de se ouvir. Tentem parar...

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Hoje recebi um presente que me emocionou. É uma poesia inédita da minha queridíssima Simone Saback que a cada dia que passa me surpreende mais com seu talento e doçura.
Leiam e sintam a grandiosidade da alma dessa poetisa.

"Meu Poeta e eu"

Nem sempre sou o que transbordam
essas rimas de amador.
São coisas de meu poeta
que ora retrata emoções
e ora as inventa dentro de mim.
Pode senti-las noutros corações,
em vidas distantes,
em olhares dispersos.
Mas o que traz consigo
- de vôos pelos sentimentos -
deixo que acomode em meu coração.
Assim serei, por alguns instantes,
o que o poeta deseja transformar em versos.
Não... nem sempre sou o que transbordam
essas rimas de amador.
São coisas de meu poeta,
cuja alma - quando me envolve -
jamais me permite saber quem sou.

Simone Saback

sexta-feira, janeiro 12, 2007

"Flor de Amendoeira"

Tento esquecer os dias vividos
Com seu cheiro do meu lado
Mas, é difícil lembrar de esquecer
O futuro é um instante impreciso
Sei que não tens nada com isso
Por isso, tenho a alma nas mãos
Um sorriso nos olhos
E na ilusão, uma flor de amendoeira
Lugares seguros de guardar
Os tesouros do meu lugar
Guardarei tuas cores até o fim,
Pois ficaram estampadas em mim
Mas, deixa isso pra lá...
Antes que eu me vá,
Conta-me teus segredos
Talvez isso me salvará
Natureza quase morta, ressuscita
Só através do amor o corpo vive.

Lua

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Linhas reescritas...

Esse texto é a bela e delicada linguagem do meu querido amigo Paulo Camelo. Ele consegue traduzir muito bem o cotidiano de íntimos sentimentos, tão íntimos, tão vivos e nossos, que parece até que os sentimos quando lemos.

"Acordou, abriu a janela, respirou e deliciou as cores carinhosas do amanhecer. Queria fazer daquele dia um marco. Que a partir daquela manhã, abriria os braços e agarraria a vida que esquecera na esperança, onde apenas esperava. Titubeou um instante. Medo. Mas dessa vez sentiu que não tinha mais tempo pra ele.. Olhou o quarto, ainda com o cheiro de noite pesada, parou ver contemplar os traços de sua humanidade naqueles enfeites, nas marcas de sua mão na parede, na roupa jogada com pressa no canto. Pensou em quanto tempo da sua vida foi gasta nessas marcas. E de novo sentiu que não tinha mais tempo para isso. Bocejou com preguiça e saiu pela porta. Lutava para não encontrar semelhança do dia anterior. Fez tudo diferente, um café menos amargo, um banho mais demorado. Um atraso calculado e um desejo quase irresistível de pedir demissão. Organizou o que tinha que fazer e fez. Nada de caprichar, nada de querer demonstrar sua falsa idéia de ser a única a ter competência na função. Estava ali pelo salário, nem sabia o que realmente queria estar trabalhando. Ainda novinha entrara na empresa, na época o motivo foi ficar fora do seu quarto, mas depois vieram outros objetivos, e mais outros, até perceber que estava amarrada a uma dívida no cartão... “que dane-se o cartão”, disse baixinho. Quis ligar para ele. Desistiu. Achou que era um momento íntimo demais e se ligasse estragaria tudo. Lembrar dele com carinho foi suficiente e sorriu. Medo. Agora, de perdê-lo. Ah, mas não tinha mesmo tempo para isso! E assim, de medo em medo, foi corajosamente vivendo. "

Paulo Camelo

Eternamente Quintana...

"Amar: Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro."


(Mário Quintana)

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Mais uma belíssima música de Simone Saback...deliciem-se!

Vai
Composição: Simone Saback

Espera aí!
Nem vem com essa estória
Eu nem quero ouvir
Não dá pra te esquecer agora
Como assim?
'Cê disse que me amava tanto ontem
Eu juro que ouvi

Calma aí!
Que diabo você tá dizendo agora?
Que onda é essa de outro lance pra viver?
Você nem pode tá falando sério...
Vivi pra você
Morri pra você

Pois então vai!
A porta esteve aberta o tempo todo
Sai!
Quem tá lhe segurando?
Você sabe voar
Pois então vai!
A porta na verdade nem existe

Sai!
O que está esperando?
Você sabe voar
Então tá bom!
É, senta e conta logo tudo devagar
Não minta, não me faça, suportar
Você caindo nesse abismo enorme
Tão fora de mim

Tá legal!
É, e eu faço o quê com a nossa vida genial?
'Cê vai viver pra outra vida e eu fico aqui
Na vida que ficou em minha vida
Tão perto de mim
Tão longe de mim

(Pois então) vai!
A porta esteve aberta o tempo todo
Sai!
Quem tá lhe segurando?
Você sabe voar
(Pois então) vai!
A porta na verdade nem existe

Sai!
O que está esperando?
Você sabe voar
Uhuu, de volta pra mim
De volta pra mim...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

É só fechar os olhos e ver...

Quantas vidas?
É incrível a sensação de plenitude e alegria que os dias nublados me causam.
Não sei explicar, mas eles me encantam.É como se eu conseguisse ao olhar pela janela adentrar o mundo dos céus, passeando entre nuvens e sentindo o carinho de seu toque em meu rosto, da chuva esfriando meu corpo e da cinza cor, acalmando meu espírito, com a paz que ela transmite.
Olho agora, e através do espesso vidro não vejo nada além de gotas dançando em sua superfície, quer dizer, ao longe vejo o contorno dos prédios cobertos pela névoa branca que colore a chuva.
Depois de algum tempo já não vejo mais os prédios, nem as antenas de TV, mas vejo pequenas cidades suspensas, pessoas sorridentes de rostos conhecidos, outros não. Vilarejos com casinhas de alpendres, enfeitados por flores amarelas, com cadeiras de balanço e um céu cor de prata, lugares onde gostaria de poder estar agora.
Ah, às vezes me pergunto porque não podemos voar, também já seria pedir demais a Deus que já nos é tão generoso. Acho que sei bem porque ele não nos concedeu o dom de voar.
Imaginem quantos corações não deixariam o amor à sua espera em troca de uma aventura do outro lado do mar ou até mesmo do outro lado da chuva. Bom, mas também podemos pensar que quantos corações não seriam visitados quando a chuva começasse a cair e batesse aquela saudade louca de estar bem juntinho do seu amor.
Tudo na vida tem seus dois lados. Se não temos asas, temos pernas e imaginação. Podemos sair correndo e gritando alto o quanto somos felizes porque estamos indo ver aquele(a) que nos faz acordar sorrindo ou até mesmo fechar os olhos e transmitir em energia o tamanho do nosso amor e da saudade que agora nos toma. Se fizermos isso com certeza o outro(a) sentirá o mesmo, onde quer que esteja, ele(a) sentirá a força do amor.
Será que um dia comum nublado, chuvoso, nos causa tudo isso?
Me desculpem meus amigos, mas podemos ser tudo, sentir tudo, ir a qualquer lugar é só querer, mas o mais difícil é a gente querer lá do fundo. Se assim o fizermos poderemos nos livrar de nós mesmos, pelo menos por instantes e escolher quantas vidas ter.
A chuva tá passando, mas sua casa continua pintada de cinza, como a minha alma nesse momento está em paz, na paz da sua cor. Acho que ela está partindo em busca de outros corações, outras vidas, outros olhos fixados em janelas, prontos para sonhar com o infinito e voar ao encontro do amor.
O que você consegue ver através do vidro quando está chovendo?
É só uma curiosidade(risos)..., mas quando chover de novo, olhe bem para a janela.
Lua

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Ele pulsa, vezes sim, vezes não...

Coração

Na terra do coração passei o dia pensando - coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação - repetido, invertido - ação, cor - sem sentido - couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.
Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.
Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.
Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.
Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.
Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.
Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se p6os. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.
Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.
Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.
Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.
Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "Im too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.
Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.
Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.
Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.
Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.
Meu coração é uma planta carnívora morta de fome.
Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos - ai de mim! ai, ai de mim!
Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.
Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso. Acesa, aceso - vasto, vivo: meu coração teu.

(Pequenas Epifanias, crônicas)